Certa vez estava conversando com uma amiga minha no msn. Andréia (vamos chamá-la assim) estava me contando a respeito de um fora que havia acabado de levar:
- E olha só, ele nem se deu ao luxo de me ligar! Simplesmente me mandou uma mensagem no celular dizendo que estava voltando com a ex-namorada. Uma mensagem!
- Olha, - repliquei - se aconteceu isso, foi melhor para você, pois primeiro, se o cara não te deu nem uma satisfação decente, ao invés, lhe mandou uma mensagem, ele tem problemas de falta de consideração com os outros e, segundo, normalmente as pessoas já sabem que, se não deu certo na primeira vez, na segunda dificilmente dará, portanto, o figura aí tomou uma decisão discutível... O que o descredencia (à primeira vista).
- É, - ela respondeu - melhor deixar pra lá mesmo. E hoje? O que você vai fazer?
- Não sei. Tem alguma idéia?
- Eu vou com uma amiga no Parque Barigui, o dia está bonito. Quer ir?
- É uma boa. Que horas?
- Às quatro e meia. Minha amiga vai passar aqui para me pegar e vamos.
- Ok, fechado, nos vemos lá.
- Até. Beijo.
- Até.
E fui me arrumar. De uma certa maneira, estava ansioso, pois ela era uma amiga atraente e quem sabe a conversa poderia progredir, e... Liguei para ela quando estava saindo:
- Oi, vocês estão no Barigui?
- Estamos, você está vindo?
- Sim, mais uns vinte minutos e estou aí.
- Tá, nós estamos aqui perto do parque de diversões tomando cerveja!
Entrei no carro e parti em direção ao parque. Quando lá cheguei, começou a chover, e muito. Que droga! Parei no estacionamento do parque e liguei para Andréia:
- Oi, estamos dentro do carro. Com essa chuva não dá pra ficar! Vamos em um barzinho, já ouviu falar do Cana Benta?
- Não, onde fica?
- Fica na Rua Itupava, perto do Positivo da Ambiental, sabe?
- Ah sei. Nos vemos lá então.
Um pouco resignado, dei partida no carro e me pus em marcha rumo ao tal do bar. Era um pouco na direção oposta da qual eu estava, ia ter que andar um pouco... Enfim. Vamos lá. Estava com a boa disposição dos aventureiros, e com a expectativa que poderia valer a pena. Ledo engano.
Assim que estacionei o carro e pus o pé dentro do bar, recebi a seguinte mensagem de Andréia:
- Você vai me matar? Estou indo pra casa...
Matar? Ora, claro que não... Talvez esquartejar um pouco, espancar, puxar os cabelos, mas nada tão definitivo quanto dar cabo da sua vida. Não, só mato por causas grandes ou em própria defesa. Por um cano, não...
Fiquei relativamente furioso. Faz tempo que não levava um desses! Ri de mim mesmo; me colocando nestas frias...! Mas é isso, quem está na chuva é para se molhar. Enquanto pensava isso, começou a chover de novo na minha cabeça - era São Pedro ratificando meus pensamentos!
Reorganizei minhas idéias e deixei esfriar a cabeça para respondê-la. E então lembrei da conversa a qual iniciamos o dia, e lhe respondi:
- ... Por mensagem??
Era o mínimo que eu podia fazer. Eis que a menina havia reclamado tanto e, no mesmo dia, aplicava com outra pessoa aquilo que havia acontecido com ela. Nós somos aquilo que nós vivemos! E ela me respondeu:
- (Risadas) Amadora né? Cortei meu pé no parque, está ardendo! (sorriso)
Acho que ela simplesmente não entendeu a ironia, ou fingiu que não entendeu. É melhor ir para casa mesmo, pensei, e arranjar alguma atividade e esquecer este imbrólio. Não era a primeira vez que isso acontecia e com certeza não seria a última!
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Cano no Cana
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Valmir Bonifácio Jr.
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Segunda-feira, Novembro 30, 2009
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domingo, 8 de novembro de 2009
A salvação do Rio de Janeiro
Está todo mundo aparvalhado com essa história de Copa e Olimpíadas. Apareceu o Lula chorando na tevê, todo mundo ficou embriagado. As velhinhas se emocionaram, até os principais rivais tiraram o chapéu para o barbudão. Pelo quê?
Agora o assunto é sério. O Brasil está embaixo dos holofotes. Ganhou de concorrentes muito mais confiáveis do que o Rio nos quesitos segurança e investimento. O Rio vai ter que desembolsar muito mais dinheiro que qualquer uma das outras cidades que estavam na briga.
Ganhou pelo fato de que o Brasil incrivelmente encontra-se em uma posição de barganha frente ao mundo inteiro, principalmente por ter passado pela crise como um garoto passa pela queda do primeiro dente. Passadas duas noites, já estava brincando na rua de futebol e se estatelando.
Temos acompanhado nos jornais os recentes acontecimentos na cidade maravilhosa. Nada novo, todos nós sempre soubemos que lá é assim. As cidades perdedoras, em seu choro de lamento, tem alardeado estas manchetes com a seguinte conotação: estão vendo a cidade que vocês elegeram para a sede da Olimpíada? Estamos perdidos!
É um pouco de drama, mas não deixam de estar longe da verdade. Nesta vereda, o Brasil tem duas saídas, uma paliativa e uma robusta. Creio eu que tomarão a paliativa, mas aqui eu irei expor a minha opinião sobre qual seria uma solução realmente efetiva. É simples.
A liberação imediata e irrestrita de substâncias químicas entorpecentes ilegais. A liberação do consumo e comercialização das drogas no estado do Rio de Janeiro.
As favelas, centros dos poderes dos traficantes, são movidas a este comércio. As armas são compradas e pagas com este dinheiro para protegê-los. A lei na favela gira em torno deste poder. Os traficantes são os "padrinhos" das favelas, concedem permissões e punem ao velho estilo de Hamurabi.
Imaginem se esse pessoal todo não precisasse de armas e nem precisasse se esconder? A liberação das drogas acarretaria em uma madança simples e muito significativa: o crime não seria mais crime. Seria legal. O policial não precisa perseguir alguém que esteja cumprindo a lei!!
Somos Brasil, o país mais miscigenado do planeta. Por aqui passaram ingleses, portugueses, espanhóis, africanos, japoneses, alemães, raças de todos os tipos. Somos um país a frente do nosso tempo, e devemos agir como tal.
É claro que no início seria um completo caos, pois causaria um desequilíbrio social sem precedentes. Mas afirmo que tudo isso estaria reequilibrado até a copa do mundo. As favelas se manteriam lá, com certeza, pois ainda temos problemas graves de distribuição de renda, mas não seriam o simbolo do tráfico nem da violência. Seriam apenas o símbolo da desorganização e de um passado cruel. Passado este que estaria aos poucos sendo esquecido e superado.
E quanto aos usuários? Posso listar de bate pronto dois fatores indiscutíveis em prol desta decisão:
- O fato de que deixando de ser proibida, a droga perde muito do seu charme. É a velha história; nós temos muito mais interesse em fazer algo se aquilo nos é vetado. Quem não sentiu frisson ao dar a tragada do primeiro cigarrinho escondido dos pais?
- O segundo fator é que, independente de ser proibido ou não, quem quer utilizar drogas acha seus meios, de um jeito ou de outro acha uma maneira de conseguir a droga para usar.
O consumo de drogas seria regulamentado pela responsabilidade dos próprios usuários. Olha que oportunidade maravilhosa ao povo carioca de desenvolver uma maturidade saudável e inovadora!
Vamos pegar o exemplo de Amsterdam, que funcionou, elevarmos a terceira potência e mostrarmos ao mundo que através de ousadia e liberdade, conseguimos reencontrar o equilíbrio na cidade mais charmosa do mundo, o nosso glorioso Rio de Janeiro.
A continuar!
Agora o assunto é sério. O Brasil está embaixo dos holofotes. Ganhou de concorrentes muito mais confiáveis do que o Rio nos quesitos segurança e investimento. O Rio vai ter que desembolsar muito mais dinheiro que qualquer uma das outras cidades que estavam na briga.
Ganhou pelo fato de que o Brasil incrivelmente encontra-se em uma posição de barganha frente ao mundo inteiro, principalmente por ter passado pela crise como um garoto passa pela queda do primeiro dente. Passadas duas noites, já estava brincando na rua de futebol e se estatelando.
Temos acompanhado nos jornais os recentes acontecimentos na cidade maravilhosa. Nada novo, todos nós sempre soubemos que lá é assim. As cidades perdedoras, em seu choro de lamento, tem alardeado estas manchetes com a seguinte conotação: estão vendo a cidade que vocês elegeram para a sede da Olimpíada? Estamos perdidos!
É um pouco de drama, mas não deixam de estar longe da verdade. Nesta vereda, o Brasil tem duas saídas, uma paliativa e uma robusta. Creio eu que tomarão a paliativa, mas aqui eu irei expor a minha opinião sobre qual seria uma solução realmente efetiva. É simples.
A liberação imediata e irrestrita de substâncias químicas entorpecentes ilegais. A liberação do consumo e comercialização das drogas no estado do Rio de Janeiro.
As favelas, centros dos poderes dos traficantes, são movidas a este comércio. As armas são compradas e pagas com este dinheiro para protegê-los. A lei na favela gira em torno deste poder. Os traficantes são os "padrinhos" das favelas, concedem permissões e punem ao velho estilo de Hamurabi.
Imaginem se esse pessoal todo não precisasse de armas e nem precisasse se esconder? A liberação das drogas acarretaria em uma madança simples e muito significativa: o crime não seria mais crime. Seria legal. O policial não precisa perseguir alguém que esteja cumprindo a lei!!
Somos Brasil, o país mais miscigenado do planeta. Por aqui passaram ingleses, portugueses, espanhóis, africanos, japoneses, alemães, raças de todos os tipos. Somos um país a frente do nosso tempo, e devemos agir como tal.
É claro que no início seria um completo caos, pois causaria um desequilíbrio social sem precedentes. Mas afirmo que tudo isso estaria reequilibrado até a copa do mundo. As favelas se manteriam lá, com certeza, pois ainda temos problemas graves de distribuição de renda, mas não seriam o simbolo do tráfico nem da violência. Seriam apenas o símbolo da desorganização e de um passado cruel. Passado este que estaria aos poucos sendo esquecido e superado.
E quanto aos usuários? Posso listar de bate pronto dois fatores indiscutíveis em prol desta decisão:
- O fato de que deixando de ser proibida, a droga perde muito do seu charme. É a velha história; nós temos muito mais interesse em fazer algo se aquilo nos é vetado. Quem não sentiu frisson ao dar a tragada do primeiro cigarrinho escondido dos pais?
- O segundo fator é que, independente de ser proibido ou não, quem quer utilizar drogas acha seus meios, de um jeito ou de outro acha uma maneira de conseguir a droga para usar.
O consumo de drogas seria regulamentado pela responsabilidade dos próprios usuários. Olha que oportunidade maravilhosa ao povo carioca de desenvolver uma maturidade saudável e inovadora!
Vamos pegar o exemplo de Amsterdam, que funcionou, elevarmos a terceira potência e mostrarmos ao mundo que através de ousadia e liberdade, conseguimos reencontrar o equilíbrio na cidade mais charmosa do mundo, o nosso glorioso Rio de Janeiro.
A continuar!
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Valmir Bonifácio Jr.
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Domingo, Novembro 08, 2009
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segunda-feira, 2 de novembro de 2009
O cometa solitário
Em uma galáxia distante, existia um Sol.
Reinava supremo e em harmonia. Todos os planetas que orbitavam ao seu redor não tinham uma queixa sequer dele; todos tinham tudo o que precisavam para a sua existência pacífica.
Um dia, este Sol foi arrebatado por uma onda de agitação interna e viajou até uma galáxia distante onde reinavam dois sóis-irmãos. Estes sóis dominam esta galáxia abandonadamente, devido também ao fato de serem tão próximos e parecidos que parecem não dois, mas apenas um sol enorme.
E lá chegou o nosso ex-Sol, agora transformado em pequeno cometa. Viajou entre os outros corpos celestes, em sua trajetória particular. Alguns destes planetas, quando ele passava perto, sofriam a sua força de atração e mudavam um pouco a sua trajetória; mas não com a força suficiente para deslocá-los definitivamente de sua órbita original ao redor dos dois astros supremos daquela galáxia.
E este nosso cometa permaneceu vários reflexos de Sol. Pois ele gostava desta vida de centro das órbitas. E em termos de equilíbrio era sadio, pois ele era um corpo celeste imparcial, sensível e justo.
Para ele, apenas três destinos são possíveis: incorporar-se aos sóis-irmãos, colidir com algum planeta daquela galáxia ou simplesmente deixar a galáxia intacta e tentar constituir outro sistema ao seu redor, e para isso precisaria diminuir a sua agitação interna. A primeira opção, de se fundir aos sóis, é a que mais lhe causa estranheza, pois ele sempre lutou com garras e dentes pela sua individualidade, e a simples idéia de ter que abrir mão dela lhe incomoda.
Talvez haja uma quarta saída...
Reinava supremo e em harmonia. Todos os planetas que orbitavam ao seu redor não tinham uma queixa sequer dele; todos tinham tudo o que precisavam para a sua existência pacífica.
Um dia, este Sol foi arrebatado por uma onda de agitação interna e viajou até uma galáxia distante onde reinavam dois sóis-irmãos. Estes sóis dominam esta galáxia abandonadamente, devido também ao fato de serem tão próximos e parecidos que parecem não dois, mas apenas um sol enorme.
E lá chegou o nosso ex-Sol, agora transformado em pequeno cometa. Viajou entre os outros corpos celestes, em sua trajetória particular. Alguns destes planetas, quando ele passava perto, sofriam a sua força de atração e mudavam um pouco a sua trajetória; mas não com a força suficiente para deslocá-los definitivamente de sua órbita original ao redor dos dois astros supremos daquela galáxia.
E este nosso cometa permaneceu vários reflexos de Sol. Pois ele gostava desta vida de centro das órbitas. E em termos de equilíbrio era sadio, pois ele era um corpo celeste imparcial, sensível e justo.
Para ele, apenas três destinos são possíveis: incorporar-se aos sóis-irmãos, colidir com algum planeta daquela galáxia ou simplesmente deixar a galáxia intacta e tentar constituir outro sistema ao seu redor, e para isso precisaria diminuir a sua agitação interna. A primeira opção, de se fundir aos sóis, é a que mais lhe causa estranheza, pois ele sempre lutou com garras e dentes pela sua individualidade, e a simples idéia de ter que abrir mão dela lhe incomoda.
Talvez haja uma quarta saída...
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Valmir Bonifácio Jr.
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Segunda-feira, Novembro 02, 2009
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segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Olhar
...Você me mostrou o quanto é importante o olhar. A energia que flui; a comunicação muda, a cumplicidade, a ironia, o carinho e, às vezes, apenas e simplesmente enxergar a outra pessoa. Quando estou em evidência, sinto seu olhar em mim, me acompanhando. Para onde eu vou? O que eu vou fazer?
É possível ter conversas inteiras em 3 segundos de olhar. Não gosto de conversar no telefone, nem por email, nem falar com alguém que esteja de costas. É pelo olho que se comunica, é por ele que o sentimento flui, seja ele qual for; medo, insegurança, alegria, raiva, mentira, ilusão.
Seja lá com quem você estiver falando, se você consegue atrair o olho da pessoa para o seu, tudo é possível. Quando entrei no carro hoje, senti quase a sua presença. Eu senti a sua falta.
É possível ter conversas inteiras em 3 segundos de olhar. Não gosto de conversar no telefone, nem por email, nem falar com alguém que esteja de costas. É pelo olho que se comunica, é por ele que o sentimento flui, seja ele qual for; medo, insegurança, alegria, raiva, mentira, ilusão.
Seja lá com quem você estiver falando, se você consegue atrair o olho da pessoa para o seu, tudo é possível. Quando entrei no carro hoje, senti quase a sua presença. Eu senti a sua falta.
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Valmir Bonifácio Jr.
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Segunda-feira, Outubro 19, 2009
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segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Cúmulo do alcoólatra
Prefiro água-raz
do que água com gás
do que água com gás
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Valmir Bonifácio Jr.
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Segunda-feira, Outubro 12, 2009
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domingo, 20 de setembro de 2009
2008 - O ano ímpar
Abril – despedida da francesa sem a ditacuja
Cheguei umas cinco, estava marcado para as três horas, mas eu já conhecia o pessoal, se eles marcassem as três, na verdade seria às seis, e como eu gosto de chegar um pouco do que o resto das pessoas, cinco horas estava ótimo. Antes de sair de casa liguei para Camanducaia, porque a ultima vez que o Carlos marcou alguma coisa na chácara eu cheguei lá e não tinha ninguém! Eles haviam transferido o evento sem me avisar. Desta feita, porém, antes de sair de casa, liguei para confirmar o local e, adivinha? Eles haviam trocado de lugar e não tinham me avisado, é claro.
Tudo bem, como eu ia dizendo, cheguei lá as cinco com oito latas de Skol grande e sem meu violão. Que besteira! É engraçado, de vez em quando acho que eu preciso esquecer-me de levar o violão em algum churrasco pra perceber o tamanho da burrice que é esquecê-lo. Havia bastante gente: com o violão teria sido outra festa.
Papo vai papo vem... Mas, peraí: cadê a francesa? Ora, está lá na chácara! Mas por quê? Simplesmente a queridoca, motivo da festa, havia ficado na chácara com três ou quatro convidados e toda a carne do churrasco, afirmando de maneira contundente que todos nós deveríamos nos deslocar para lá! Na prática ela não havia entendido o que estava acontecendo! Problemas lingüísticos...
A festa ia progredindo, o pessoal ia ficando mais à vontade... Mais bêbado. Como não havia comida, todos iam se embriagando, jogando truco... Havia um cidadão chamado Lerckson (acho que é assim que escreve) que era engraçadíssimo; estávamos em uma conversa do lado de fora da casa e eis que ele se aproxima e diz: pois é, estamos aí, de novo na coadjuvância (sic). Essa foi ótima! Com esta frase ele passou imediatamente de coadjuvante a atração principal. Lá pelas tantas eu já o estava chamando de Laverne, Werneck, Verleck e por aí vai...
Havia também uma amiga do Carlos que eu conheço a algum tempo já, de vista, às vezes ela pinta nas festas da galera... Uma pessoa de outro planeta. Ela enxerga as coisas de maneira totalmente diferente. Está sempre vendo o lado ruim. “Você já foi lá no lugar X?” “Nunca, é legal lá? A gente pergunta”. “Um lixo, simplesmente um lixo”, é a resposta que ela geralmente dá. Conheço outras pessoas deste planeta que são assim também. Chega a uma festa, não te dá oi e nem tchau, quando vai embora. Teve um momento que ela estava conversando com a Luísa, namorada do Carlos, e eu tive uma idéia para conversar com ela, exatamente no momento em que esta menina ia desfiando umas “verdades” para a Luísa. Inadvertidamente (ou talvez tenha sido de propósito mesmo) interrompi a conversa das duas e comecei a falar. Advertidamente, parei de falar e pedi desculpas pela intromissão. Parecia que eu nem estava ali! Ela imediatamente retomou o que dizia e Luísa, de cabeça virada para mim, quase suplicante, pediu que eu ficasse ali para ajudá-la a suportar a tormenta. Pensei: se eu ficar aqui vou acabar arranjando confusão, porque inclusive pelo que percebi, ela estava falando mal de alguém, então sai. Pobre Luísa. Eu ainda não sei como lidar com este tipo de gente.
E eis que de repente, lá pelo final da festa, quem chega? A própria! Marina, a francesa, deu o ar de sua graça. Foi o anticlímax total: ninguém mais estava esperando-a e na verdade acho até que ninguém mais queria que ela fosse, coitada... E a carne? Ela deixou lá na chácara! Foi uma coisa de louco, simplesmente inacreditável! Chegou, cumprimentou as pessoas, mas já era tarde para salvar a festa. Ainda mais sem comida...
A última vez que havia saído com Marina, quase causei a terceira guerra mundial entre Brasil e França! Estava todo mundo bêbado (para variar) quando apareci na roda de conversa (flutuando simplesmente) e disse para ela: posso lhe fazer uma pergunta? Ela disse que sim, é claro. E perguntei para ela em francês: “est-ce que vous êtes defoncée maintenant ?” Nossa. O resultado foi catastrófico. Ela fechou a cara na hora. Afastei-me, sem entender direito. Com o canto do olho, vi-a encher a mão de gelo e vir em minha direção (eu só assistia a cena, já estava amortecido) e enfiar todo o gelo da mão por dentro da gola da minha camisa, pelas costas. Eu fiquei atordoado, ela me apontava o dedo e dizia: “você não pode falar isso para mim, é muito feio, você sabia?” Disse que não, é claro; tentei explicar isto em francês para ela, mas não consegui conjugar o verbo direito, saiu algo como: “se eu saber que ser feio, nunca dizer isso pra ela”. Mas tarde, vim a saber que o que eu havia dito que causou aquela reação nela foi: “Vós estais detonada agora?” Essa foi triste... Eu tinha arriscado a frase porque havia aprendido-a com uma mulher!
Voltando à despedida da francesa: encontrei a Luísa sozinha e fui comentar: Luísa, desta vez prometo que não causarei a terceira guerra. Ela me disse: olha Valmir, eu estou tentando não causar também, mas se você quiser dar uma na cara dela, eu apoio totalmente. Ela havia ficado chateada com a francesa, por ela ter ficado lá na chácara.
Pobrezinha, no final da festa ela chorava, pois não havia compreendido! Chorava e se explicava e perguntava: porque vocês não explicaram? Aos prantos. Tentei entrar na conversa, mas não havia espaço. Falei algumas coisas para a Luísa e fui embora. A festa já havia acabado, de maneira melancólica.
Cheguei umas cinco, estava marcado para as três horas, mas eu já conhecia o pessoal, se eles marcassem as três, na verdade seria às seis, e como eu gosto de chegar um pouco do que o resto das pessoas, cinco horas estava ótimo. Antes de sair de casa liguei para Camanducaia, porque a ultima vez que o Carlos marcou alguma coisa na chácara eu cheguei lá e não tinha ninguém! Eles haviam transferido o evento sem me avisar. Desta feita, porém, antes de sair de casa, liguei para confirmar o local e, adivinha? Eles haviam trocado de lugar e não tinham me avisado, é claro.
Tudo bem, como eu ia dizendo, cheguei lá as cinco com oito latas de Skol grande e sem meu violão. Que besteira! É engraçado, de vez em quando acho que eu preciso esquecer-me de levar o violão em algum churrasco pra perceber o tamanho da burrice que é esquecê-lo. Havia bastante gente: com o violão teria sido outra festa.
Papo vai papo vem... Mas, peraí: cadê a francesa? Ora, está lá na chácara! Mas por quê? Simplesmente a queridoca, motivo da festa, havia ficado na chácara com três ou quatro convidados e toda a carne do churrasco, afirmando de maneira contundente que todos nós deveríamos nos deslocar para lá! Na prática ela não havia entendido o que estava acontecendo! Problemas lingüísticos...
A festa ia progredindo, o pessoal ia ficando mais à vontade... Mais bêbado. Como não havia comida, todos iam se embriagando, jogando truco... Havia um cidadão chamado Lerckson (acho que é assim que escreve) que era engraçadíssimo; estávamos em uma conversa do lado de fora da casa e eis que ele se aproxima e diz: pois é, estamos aí, de novo na coadjuvância (sic). Essa foi ótima! Com esta frase ele passou imediatamente de coadjuvante a atração principal. Lá pelas tantas eu já o estava chamando de Laverne, Werneck, Verleck e por aí vai...
Havia também uma amiga do Carlos que eu conheço a algum tempo já, de vista, às vezes ela pinta nas festas da galera... Uma pessoa de outro planeta. Ela enxerga as coisas de maneira totalmente diferente. Está sempre vendo o lado ruim. “Você já foi lá no lugar X?” “Nunca, é legal lá? A gente pergunta”. “Um lixo, simplesmente um lixo”, é a resposta que ela geralmente dá. Conheço outras pessoas deste planeta que são assim também. Chega a uma festa, não te dá oi e nem tchau, quando vai embora. Teve um momento que ela estava conversando com a Luísa, namorada do Carlos, e eu tive uma idéia para conversar com ela, exatamente no momento em que esta menina ia desfiando umas “verdades” para a Luísa. Inadvertidamente (ou talvez tenha sido de propósito mesmo) interrompi a conversa das duas e comecei a falar. Advertidamente, parei de falar e pedi desculpas pela intromissão. Parecia que eu nem estava ali! Ela imediatamente retomou o que dizia e Luísa, de cabeça virada para mim, quase suplicante, pediu que eu ficasse ali para ajudá-la a suportar a tormenta. Pensei: se eu ficar aqui vou acabar arranjando confusão, porque inclusive pelo que percebi, ela estava falando mal de alguém, então sai. Pobre Luísa. Eu ainda não sei como lidar com este tipo de gente.
E eis que de repente, lá pelo final da festa, quem chega? A própria! Marina, a francesa, deu o ar de sua graça. Foi o anticlímax total: ninguém mais estava esperando-a e na verdade acho até que ninguém mais queria que ela fosse, coitada... E a carne? Ela deixou lá na chácara! Foi uma coisa de louco, simplesmente inacreditável! Chegou, cumprimentou as pessoas, mas já era tarde para salvar a festa. Ainda mais sem comida...
A última vez que havia saído com Marina, quase causei a terceira guerra mundial entre Brasil e França! Estava todo mundo bêbado (para variar) quando apareci na roda de conversa (flutuando simplesmente) e disse para ela: posso lhe fazer uma pergunta? Ela disse que sim, é claro. E perguntei para ela em francês: “est-ce que vous êtes defoncée maintenant ?” Nossa. O resultado foi catastrófico. Ela fechou a cara na hora. Afastei-me, sem entender direito. Com o canto do olho, vi-a encher a mão de gelo e vir em minha direção (eu só assistia a cena, já estava amortecido) e enfiar todo o gelo da mão por dentro da gola da minha camisa, pelas costas. Eu fiquei atordoado, ela me apontava o dedo e dizia: “você não pode falar isso para mim, é muito feio, você sabia?” Disse que não, é claro; tentei explicar isto em francês para ela, mas não consegui conjugar o verbo direito, saiu algo como: “se eu saber que ser feio, nunca dizer isso pra ela”. Mas tarde, vim a saber que o que eu havia dito que causou aquela reação nela foi: “Vós estais detonada agora?” Essa foi triste... Eu tinha arriscado a frase porque havia aprendido-a com uma mulher!
Voltando à despedida da francesa: encontrei a Luísa sozinha e fui comentar: Luísa, desta vez prometo que não causarei a terceira guerra. Ela me disse: olha Valmir, eu estou tentando não causar também, mas se você quiser dar uma na cara dela, eu apoio totalmente. Ela havia ficado chateada com a francesa, por ela ter ficado lá na chácara.
Pobrezinha, no final da festa ela chorava, pois não havia compreendido! Chorava e se explicava e perguntava: porque vocês não explicaram? Aos prantos. Tentei entrar na conversa, mas não havia espaço. Falei algumas coisas para a Luísa e fui embora. A festa já havia acabado, de maneira melancólica.
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Valmir Bonifácio Jr.
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segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Engolidos pelas Trevas
E nas trevas, fez-se a luz. Cada um era uma pequena luz e quando se juntou, virou um holofote, tão intenso quanto a luz do sol.
Quando entraram naquele teatro, eram “puros”. Eram pessoas sem maldade, mesmo, sem expectativas. Chamavam-se “Ini-2”.
Alguns eram novos, outros velhos, outros jovens, alguns carecas, umas bonitas, outras nem tanto, gordo, magro, alta, baixa, inocentes no total sentido da palavra, alguns tinham tendência para a individualidade, mas nenhum deles exercia nenhuma característica destrutiva, absolutamente. Isso, eu me lembro muito bem.
E por algum acaso divino, uniram-se, e muito. Eram leais, uns aos outros. Eram leais a si mesmos. Eram felizes. Eram novidade.
Eram muito sortudos. Tiveram a chance de logo de cara trabalhar com o diretor mais humano que já vi. Uma pessoa maravilhosa.
Sabiam das suas limitações, tinham plena consciência dela. E isso era a maior vantagem que tinham. Não eram ambiciosos, nem faziam idéia de onde poderiam chegar e, acima de tudo, respeitavam a arte do teatro e colocavam-se a serviço dela. Eram um facho de luz no meio das trevas da noite Curitibana.
Quando estavam no auge, reconhecidos por todos como a verdadeira luz, as coisas poderiam tomar dois caminhos diferentes:
Primeiro caminho: após o reconhecimento de seu valor, do fato de serem “luz”, as trevas aos poucos deixariam de ser trevas, buscariam uma compreensão desta luminosidade, aceitariam de coração este modelo como certo (ao invés de ficar falando apenas da boca pra fora) e se transformariam, aos poucos, em luz. O teatro como arte prevaleceria e todos seriam milionários. Seria sublime se acontecesse, e infelizmente soa utópico.
Segundo caminho: lentamente, esta luz iria perder a força, devido a diversos fatores, e esta luz, mesmo sendo um feixe forte e bonito, iria perecer ante a densidade das trevas. E no final a arte estaria moribunda, substituída pelo vazio do teatro sem alma, feito com o objetivo de engrandecer pessoas, invertendo a ordem sublime (e certa) das coisas.
E foi exatamente isto que aconteceu.
A coisa foi acontecendo sutil, porém efetivamente. Aos poucos, viraram vítimas de uma corrupção, no sentido real da palavra, que vem de corromper, não de bandidagem. Foram sendo corrompidos, progressivamente. Foram sendo contaminados pelos sentimentos contrários aos nobres que tinham. O ego, que não tinha sequer espaço para expressão, começou a tomar conta de suas psiques. Todos eles foram afetados por isso, cada um de uma maneira diferente. Aqueles que eram mais novos ou não possuíam confiança em si próprios se adaptaram e sucumbiram à pressão de opiniões mais fortes, tornando-se parte daquelas trevas... Foram perdendo os valores puros e se adaptando as condições, ao “meio”, que pregava como objetivo o sucesso pessoal, e não o espírito de grupo que o teatro e a arte pregam. Aqueles que tinham a capacidade diminuíram a intensidade de suas luzes até ficar tão fraquinha que parecia que estava apagada. Aqueles que tinham convicção destas virtudes e da condição de “luz” não se deixaram envolver pelas trevas, indo brilhar em outros ambientes, e por conseqüência, enfraquecendo o facho de luz que lutava, e a esta altura perdia a batalha.
Uma disputa sem culpados, nem das trevas, tampouco da luz. Foi uma simples queda de braço onde o mais forte ganhou.
E a escuridão voltou a reinar tranquila. Até o próximo embate.
Quando entraram naquele teatro, eram “puros”. Eram pessoas sem maldade, mesmo, sem expectativas. Chamavam-se “Ini-2”.
Alguns eram novos, outros velhos, outros jovens, alguns carecas, umas bonitas, outras nem tanto, gordo, magro, alta, baixa, inocentes no total sentido da palavra, alguns tinham tendência para a individualidade, mas nenhum deles exercia nenhuma característica destrutiva, absolutamente. Isso, eu me lembro muito bem.
E por algum acaso divino, uniram-se, e muito. Eram leais, uns aos outros. Eram leais a si mesmos. Eram felizes. Eram novidade.
Eram muito sortudos. Tiveram a chance de logo de cara trabalhar com o diretor mais humano que já vi. Uma pessoa maravilhosa.
Sabiam das suas limitações, tinham plena consciência dela. E isso era a maior vantagem que tinham. Não eram ambiciosos, nem faziam idéia de onde poderiam chegar e, acima de tudo, respeitavam a arte do teatro e colocavam-se a serviço dela. Eram um facho de luz no meio das trevas da noite Curitibana.
Quando estavam no auge, reconhecidos por todos como a verdadeira luz, as coisas poderiam tomar dois caminhos diferentes:
Primeiro caminho: após o reconhecimento de seu valor, do fato de serem “luz”, as trevas aos poucos deixariam de ser trevas, buscariam uma compreensão desta luminosidade, aceitariam de coração este modelo como certo (ao invés de ficar falando apenas da boca pra fora) e se transformariam, aos poucos, em luz. O teatro como arte prevaleceria e todos seriam milionários. Seria sublime se acontecesse, e infelizmente soa utópico.
Segundo caminho: lentamente, esta luz iria perder a força, devido a diversos fatores, e esta luz, mesmo sendo um feixe forte e bonito, iria perecer ante a densidade das trevas. E no final a arte estaria moribunda, substituída pelo vazio do teatro sem alma, feito com o objetivo de engrandecer pessoas, invertendo a ordem sublime (e certa) das coisas.
E foi exatamente isto que aconteceu.
A coisa foi acontecendo sutil, porém efetivamente. Aos poucos, viraram vítimas de uma corrupção, no sentido real da palavra, que vem de corromper, não de bandidagem. Foram sendo corrompidos, progressivamente. Foram sendo contaminados pelos sentimentos contrários aos nobres que tinham. O ego, que não tinha sequer espaço para expressão, começou a tomar conta de suas psiques. Todos eles foram afetados por isso, cada um de uma maneira diferente. Aqueles que eram mais novos ou não possuíam confiança em si próprios se adaptaram e sucumbiram à pressão de opiniões mais fortes, tornando-se parte daquelas trevas... Foram perdendo os valores puros e se adaptando as condições, ao “meio”, que pregava como objetivo o sucesso pessoal, e não o espírito de grupo que o teatro e a arte pregam. Aqueles que tinham a capacidade diminuíram a intensidade de suas luzes até ficar tão fraquinha que parecia que estava apagada. Aqueles que tinham convicção destas virtudes e da condição de “luz” não se deixaram envolver pelas trevas, indo brilhar em outros ambientes, e por conseqüência, enfraquecendo o facho de luz que lutava, e a esta altura perdia a batalha.
Uma disputa sem culpados, nem das trevas, tampouco da luz. Foi uma simples queda de braço onde o mais forte ganhou.
E a escuridão voltou a reinar tranquila. Até o próximo embate.
Postado por
Valmir Bonifácio Jr.
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Segunda-feira, Setembro 14, 2009
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